Li suas crônicas. Por título. Uma a uma. Seriam 105? Grande empreitada. Conhecer o desconhecido. Como ele se mostra, do que é feito. Secionar a vida. Estilhaçar o tempo; E aí, Rearrumá-lo, dar forma. Tornar compreensível? Até onde irei, No poliedro sem datas? Fileiras arrumadas, Papel com letras, palavras. Vida vivida, ecos distantes. Também próximos. Sentido, da vida. Toca a Ave Maria. Lua crescente no céu. Noite de inverno.
EU ESTAVA VIVO By roner braga padilha – 27/06/2008
Hoje eu acordei. Percebi que estava vivo. Fazia frio, e, Em meio as cobertas, Enrodilhado, Senti meu coração batendo.
Tateei as cobertas. Pernas, braços e complementos, Funcionando. Pude ouvir, Um cachorro latindo, Galo cantando, Veículo transitando E um pássaro gorjeando.
Nas penumbra das cortinas, Arrisquei a cabeça Fora das cobertas. Abri os olhos... Eu enxergava!!!
Aí, pensei: - Eu pensei!!!! O computador mental... Minha alma, Estava comigo. A aventura, continuava.
Custei a perceber.
Eu carregava meu caixão.
De defunto... Enterro e essas coisas...
Mas...
Não estava sozinho.
Era uma caminhada...
Filas separadas...
Tudo organizado... Até internet...
Cada qual...
Ia...
Descobri a Serrinha, em Iuna, ainda na década de 1980. Quem falava de suas qualidades,suas belezas e maravilhosas paisagens, era o Véti Silveira. Pois é.
Mas, vou contar uma aventura que aconteceu já na década de 1990, quando nosso grupo – GIAAN –Grupo Iunense de Amigos do Ambiente Natural, ajudou a colocar em prática o Projeto EARC – Ecologistas em Ação na Região do Caparaó, iniciativa da ONG – Amar Caparaó.
Pra fazer o que? Plantar mudas de árvores. Havia ingazeiros, jacarandás, braúnas, perobas, abacateiros, jaqueiras, laranjeiras, limoeiros, goiabeiras, pau ferro, pau d’álho, aroeiras e sei lá...Não lembro mais. Tenho os registros, as fotos, as filmagens. E minha memória...He! He! He!
Mas, qual a aventura? Pois é. Fomos acampar na Serrinha, na base do Pico Bela Vista – Colossus. Todo mundo enfiando a mão no próprio bolso. Plantar árvores era coisa de maluco. Até o proprietário, que aceitou que acampássemos em suas terras, assim pensava. Mas nada tinha a perder e, além disso, era (?) um grande gozador e bom de papo. Além de nos receber com fino trato, nos pregou uma grande peça.
Chegamos com a tralha, armamos barracas, assamos banana e batata na brasa, curtimos o céu noturno (lá não tinha energia elétrica), e o visual do Caparaó e, no dia seguinte, saímos a plantar as mudas de árvores possíveis. Foram mais de cem. No sábado.
Domingo, ficou reservado para conhecer a propriedade e quem quisesse subir o Pico Belo Vista – Colossus. Engatamos uma caminhada ecológica e fomos apresentados a uma castanheira, cujos frutos espalhavam-se pelo chão. A propriedade era um mar de pedras. Bastava pegar uma, quebrar a castanha e saborear o miolo. Delicioso!!! Todo mundo encheu a pança.
E fomos ainda visitar nascentes, conhecer árvores antigas, sentir cheiro da mata, ouvir pássaros, curtir a paisagem (magnífica) e tirar fotos.
Na volta, já no acampamento, rolou até uma lei seca com castanha. Era noite. E o proprietário, rindo, dando gargalhadas sem sentido...
E a gente sendo educado. E um incômodo estomacal tirando a gente do sério...
Até que ele soltou a maldita verdade: A castanha provocava, piriri, diarréia...caganeiram est...Diriam os gregos? 1ª declinação regular?
E deu no que deu. A noite foi testemunha, apesar do visual do céu. Ninguém dormiu e contribuiu com o sulfeto de hidrogênio (?), para destruir a camada de ozônio. Coisa de ecologista.
Mas, foi nosso acampamento mais lembrado e comentado. Até hoje.