domingo, 17 de julho de 2011

Poesia

OI FILHO
by  jul 1011

Prá dizer a verdade
Sinto saudade de você pequeno.
Eu era útil. Igual Deus quis.
Gostava de seu cheiro de bebe.
Adorava  beijar suas mãos.
Esperei nascer, andar e falar.
Os olhinhos espertos, negros...
Ainda neném, era num cesto e
Fazia o maior sucesso!
Todos te conheciam, achavam graça.
A gente vivia agarrado.
E você foi crescendo.
Andava de garupa na moto.
No cesto, uma vez,
Você rolou dele dentro do carro
Indo pras férias na praia.
Eu e sua mãe fizemos um drama.
E te ensinei acampar.
Subimos montanhas.
Pico da Bandeira, Colossus e Tia Velha.
E você foi crescendo.
Escola, amigos, namoradas, livros.
A vida me tomou a criança e
Devolveu-me o adolescente,
Depois um jovem e por fim o homem.
E agora eu sou a criança.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Saudade

OI PAI

by roner – julho 2011.

Oi Pai. Sinto Saudade.
Uma saudade consciente,
Que só o tempo ensina. Aprendi.
A gente conversava pouco,
Por causa da distância em quilômetros.
Quando juntos, gostava de seu otimismo.
Sempre disposto, alegre.
Eu queria ter falado mais.
Você falava pouco, mas observava.
Tinha sempre a opinião formada,
Gostasse ou não seu interlocutor.
Era rude, mas sincero. E feliz.
Te via caminhar toda a Capital.
Andava longe para ir num forró.
Eu sinto falta,
De sua existência física.
Aqui, hoje, íamos conversar mais.
Eu falaria para você ouvir..
Não precisava opinar, retrucar...
Neste seu aniversário,
Eu sinto é uma grande saudade.
Será,
Que um de seus milhões de pedaços,
Pode me fazer companhia?

quarta-feira, 15 de junho de 2011

LENDA DOS CAPARAÓS - Capítulo I

  Perguntando o que era importante para ele, na vida, o Velho Caparaó respondeu, com os olhos brilhantes, fitando o horizonte que descortinava, sentado no alto da Montanha Sagrada do Brasil.

    _ "Acho importante o sol nascer e depois se despedir. Acho importante a lua brilhar, a chuva cair, as águas brotarem no alto da montanha e alimentar a vida; A sombra e o silêncio das matas, a majestosa imponência das pedras, o canto dos pássaros e seu vôo livre e, às vezes errante; A carícia do vento em tudo que há na terra...
    Essas coisas eu considero importantes. Elas me fazem felizes, alimentam meu espírito e me fazem sentir parte do universo."
Roner Braga Padilha

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Conheça Iuna-ES

AS SETE MARAVILHAS
By roner Braga Padilha – ago 2009

Quer passear comigo?
Andar de pé no chão...
Tem ruas de pedras retangulares,
Outras de hexágonos, pentágonos,
Buracos, calçadas trôpegas...
Há padarias, botecos, lanchonetes,
Salões de beleza, borracharias...
Mas a gente vai seguindo;
Farmácias, confecções, sorveterias.
Justiça, executivo, legislativo.
Bancos, barbearias, combustíveis,
Loterias, celulares, geladeiras e TV...
E a gente vai seguindo.
Oficinas, hospital, casarões,
Hotéis, atacados, escolas e prisões.
E a gente vai seguindo.
Eu quero te mostrar a paisagem,
Os horizontes que há.
São de vários matizes:
Podem ser verdes, azuis,
Infinitas, minúsculas, avoantes,
Coloridas, recortadas, deslizantes.
Quero te fazer ouvir o silêncio
Ao por do sol.
E a barulhada ao nascer.
Sentir o frio da madrugada.
Admirar as corredeiras,
Seguindo serras e montanhas,
Pulando ou circulando crateras,
Ou correndo mansa nas baixadas.
E depois de tudo, se você,
Ainda disser que não me ama,
Não importa...
Você aprendeu amar Iuna!

Roner é Secretário e membro da Academia Iunense de Letras.

quinta-feira, 17 de março de 2011

POESIA

CANÁRIO DA TERRA
 by Roner Braga Padilha em março 2011.
  
Uma pequena feixa de terra
É o palco da festa. Diária.
Os canários da terra amontoam-se
Na pequena cortina verde ali existente.
Geralmente na hora do almoço,
No verão.
Somem ciscando o chão
E ressurgem buscando sementes.
Mudam para os matinhos
Que crescem nas pedras da rua.
São mansos. São esbeltos.
Quando forma poços d’água,
Depois das chuvas...
É um calmante vê-los banhar-se.
Elegantes, estão sempre eretos.
Caminham “pata a pata”
E empreendem vôos curtos.
São coloridos.
Os machos são bem amarelos
E tem pinta vermelha na cabeça.
Adoram brigar com espelhos.
As fêmeas podem ser amarelas,
Com penas esverdeadas na asa.
O canto é afiado e limpo.
Do macho marcando território.