terça-feira, 23 de agosto de 2011

LENDA DOS CAPARAÓS - Capítulo II

O que o Velho Caparaó gostava mesmo era de contar histórias. De seu povo e de sua região. Uma delas dizia a respeito de como surgiram nossas montanhas.

    Segundo ele, nossa região em época muito remota, havia sido um enorme vulcão. Quando esse vulcão começou a se acalmar, caiu dos céus uma chuva de enormes pedras, indo uma delas - a maior, colidir com a capa já resfriada da imensa cratera.

    Fora um choque colossal. A cratera se abriu em várias partes, formando o que hoje vemos como as Serras do Caparaó, Seio de Abrão, Palmital e Beraba. A ponta do que sobrou da pedra que veio do espaço, é hoje a conhecida Pedra da Tia Velha.

    Depois do estrondo, durante muito tempo o que restou foi a escuridão, provocada pela poeira amarela no ar. A poeira tinha vindo do espaço, e junto com ela, as primeiras formas de vida.

    Muitas outras colisões aconteceram na mesma época, em várias partes do planeta. Mas isto já não era história de Caparaó.

domingo, 17 de julho de 2011

Poesia

OI FILHO
by  jul 1011

Prá dizer a verdade
Sinto saudade de você pequeno.
Eu era útil. Igual Deus quis.
Gostava de seu cheiro de bebe.
Adorava  beijar suas mãos.
Esperei nascer, andar e falar.
Os olhinhos espertos, negros...
Ainda neném, era num cesto e
Fazia o maior sucesso!
Todos te conheciam, achavam graça.
A gente vivia agarrado.
E você foi crescendo.
Andava de garupa na moto.
No cesto, uma vez,
Você rolou dele dentro do carro
Indo pras férias na praia.
Eu e sua mãe fizemos um drama.
E te ensinei acampar.
Subimos montanhas.
Pico da Bandeira, Colossus e Tia Velha.
E você foi crescendo.
Escola, amigos, namoradas, livros.
A vida me tomou a criança e
Devolveu-me o adolescente,
Depois um jovem e por fim o homem.
E agora eu sou a criança.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Saudade

OI PAI

by roner – julho 2011.

Oi Pai. Sinto Saudade.
Uma saudade consciente,
Que só o tempo ensina. Aprendi.
A gente conversava pouco,
Por causa da distância em quilômetros.
Quando juntos, gostava de seu otimismo.
Sempre disposto, alegre.
Eu queria ter falado mais.
Você falava pouco, mas observava.
Tinha sempre a opinião formada,
Gostasse ou não seu interlocutor.
Era rude, mas sincero. E feliz.
Te via caminhar toda a Capital.
Andava longe para ir num forró.
Eu sinto falta,
De sua existência física.
Aqui, hoje, íamos conversar mais.
Eu falaria para você ouvir..
Não precisava opinar, retrucar...
Neste seu aniversário,
Eu sinto é uma grande saudade.
Será,
Que um de seus milhões de pedaços,
Pode me fazer companhia?

quarta-feira, 15 de junho de 2011

LENDA DOS CAPARAÓS - Capítulo I

  Perguntando o que era importante para ele, na vida, o Velho Caparaó respondeu, com os olhos brilhantes, fitando o horizonte que descortinava, sentado no alto da Montanha Sagrada do Brasil.

    _ "Acho importante o sol nascer e depois se despedir. Acho importante a lua brilhar, a chuva cair, as águas brotarem no alto da montanha e alimentar a vida; A sombra e o silêncio das matas, a majestosa imponência das pedras, o canto dos pássaros e seu vôo livre e, às vezes errante; A carícia do vento em tudo que há na terra...
    Essas coisas eu considero importantes. Elas me fazem felizes, alimentam meu espírito e me fazem sentir parte do universo."
Roner Braga Padilha

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Conheça Iuna-ES

AS SETE MARAVILHAS
By roner Braga Padilha – ago 2009

Quer passear comigo?
Andar de pé no chão...
Tem ruas de pedras retangulares,
Outras de hexágonos, pentágonos,
Buracos, calçadas trôpegas...
Há padarias, botecos, lanchonetes,
Salões de beleza, borracharias...
Mas a gente vai seguindo;
Farmácias, confecções, sorveterias.
Justiça, executivo, legislativo.
Bancos, barbearias, combustíveis,
Loterias, celulares, geladeiras e TV...
E a gente vai seguindo.
Oficinas, hospital, casarões,
Hotéis, atacados, escolas e prisões.
E a gente vai seguindo.
Eu quero te mostrar a paisagem,
Os horizontes que há.
São de vários matizes:
Podem ser verdes, azuis,
Infinitas, minúsculas, avoantes,
Coloridas, recortadas, deslizantes.
Quero te fazer ouvir o silêncio
Ao por do sol.
E a barulhada ao nascer.
Sentir o frio da madrugada.
Admirar as corredeiras,
Seguindo serras e montanhas,
Pulando ou circulando crateras,
Ou correndo mansa nas baixadas.
E depois de tudo, se você,
Ainda disser que não me ama,
Não importa...
Você aprendeu amar Iuna!

Roner é Secretário e membro da Academia Iunense de Letras.